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Osho
O texto a seguir foi extraído do
livro, O Cipreste no Jardim, constituído
por transcrições de conversas entre Osho
e os visitantes de seu Ashram. No trecho que aqui disponho, Osho pergunta a
Ratnakara, saniasin canadense, como foi participar de um dos grupos em que
estava inscrito.
“Osho: E como foi o grupo?
Ratnakara: Bem, muito bom, mas
assustador.
Osho: Certo!
Ótimo...porque se ele fosse apenas bom e não assustador, então não seria
suficientemente bom.
Sempre
que alguma coisa é realmente boa, ela é assustadora também, porque lhe traz
algumas percepções. Ela o força a certas mudanças. Ela o leva até certo ponto,
de onde, se você volta atrás, nunca se perdoará. Se você for em frente será
perigoso. Isto é o que assusta. Se você puder voltar atrás facilmente, não
haverá nenhum problema. Mas dessas percepções você não pode voltar atrás. Se
voltar, nunca será capaz de se perdoar. Sempre se lembrará de si mesmo como
sendo um covarde.
Se
você for em frente será perigoso porque é algo novo, uma coisa totalmente nova,
com a qual você não tem nenhuma familiaridade. Ela não é familiar, é estranha
como andar numa terra estranha na qual as pessoas, os lugares, tudo é
desconhecido. Assim, um certo medo surge.
Se
alguém diz que um grupo foi bom, então eu sei que não aconteceu muita coisa.
Ele gostou do grupo porque experimentou uma espécie de entretenimento
espiritual ou um jogo psicológico. Ele gostou do grupo assim como se gosta de
um filme ou de um bom romance. Mas então, para ele, acabou aí. O grupo não
provocou nada de drástico em seu ser e, por isso, ele não teve medo. Mas, em
você, ele provocou alguma coisa; você nunca mais será o mesmo. Nestes três
meses, muito mais pontos como esse acontecerão e você ficará com mais medo
ainda. Espere por eles.
Quando
houver medo, lembre-se sempre de não voltar atrás, porque esse não é o jeito de
resolvê-lo. Entre nisso. Se você tiver medo da escuridão da noite, entre na
escuridão da noite – porque este é o único jeito de superar isso. Esse é o
único jeito de transcender o medo. Entre na noite; não há nada mais importante do
que isso. Espere, sente-se lá sozinho e deixe a noite agir.
Se
você tiver medo, trema. Deixe que o tremor aconteça, mas diga para a noite: ‘Faça
o que você quiser. Eu estou aqui.’ Após alguns minutos você verá que tudo se
acalmou. A escuridão não será mais escura. Ela chegará a ser luminosa. Você a
apreciará. Poderá tocá-la – o silêncio aveludado, a imensidão...a música. Você
será capaz de gozá-la e dirá: ‘Que bobo que eu fui por ter medo de uma
experiência tão linda!’.
Sempre
que houver medo, nunca fuja dele. Do contrário, isto se transformará num
bloqueio e seu ser nunca será capaz de crescer nessa dimensão. Na verdade,
aprenda com o medo. Essas são as direções nas quais você precisa caminhar. O
medo é simplesmente um desafio. Ele o chama – ‘Venha!’.
Nestes
três meses haverá muitas situações de medo.
Aceite
o desafio e entre nelas. Nunca fuja e nunca seja um covarde. Então, um dia,
escondido atrás de cada medo, você encontrará um tesouro. É assim que um homem se
torna multidimensional.
E
tudo o que for vivo sempre lhe dará medo. Coisas mortas não lhe dão medo,
porque não há nenhum desafio nelas. Portanto, tudo isso tem sido bom. E agora
eu estarei trabalhando.”
OSHO.O Cipreste no Jardim. Traduzido
por Ma Prem Arsha, 4ª ed.São Paulo: Cultrix, 2009.

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