terça-feira, 3 de setembro de 2013

Para superar o medo

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               “Sempre que alguma coisa é realmente boa, ela é assustadora também...”
Osho

          O texto a seguir foi extraído do livro, O Cipreste no Jardim, constituído  por transcrições de conversas entre Osho e os visitantes de seu Ashram. No trecho que aqui disponho, Osho pergunta a Ratnakara, saniasin canadense, como foi participar de um dos grupos em que estava inscrito.

Osho: E como foi o grupo?
Ratnakara: Bem, muito bom, mas assustador.
Osho: Certo! Ótimo...porque se ele fosse apenas bom e não assustador, então não seria suficientemente bom.
          Sempre que alguma coisa é realmente boa, ela é assustadora também, porque lhe traz algumas percepções. Ela o força a certas mudanças. Ela o leva até certo ponto, de onde, se você volta atrás, nunca se perdoará. Se você for em frente será perigoso. Isto é o que assusta. Se você puder voltar atrás facilmente, não haverá nenhum problema. Mas dessas percepções você não pode voltar atrás. Se voltar, nunca será capaz de se perdoar. Sempre se lembrará de si mesmo como sendo um covarde.
          Se você for em frente será perigoso porque é algo novo, uma coisa totalmente nova, com a qual você não tem nenhuma familiaridade. Ela não é familiar, é estranha como andar numa terra estranha na qual as pessoas, os lugares, tudo é desconhecido. Assim, um certo medo surge.
          Se alguém diz que um grupo foi bom, então eu sei que não aconteceu muita coisa. Ele gostou do grupo porque experimentou uma espécie de entretenimento espiritual ou um jogo psicológico. Ele gostou do grupo assim como se gosta de um filme ou de um bom romance. Mas então, para ele, acabou aí. O grupo não provocou nada de drástico em seu ser e, por isso, ele não teve medo. Mas, em você, ele provocou alguma coisa; você nunca mais será o mesmo. Nestes três meses, muito mais pontos como esse acontecerão e você ficará com mais medo ainda. Espere por eles.
          Quando houver medo, lembre-se sempre de não voltar atrás, porque esse não é o jeito de resolvê-lo. Entre nisso. Se você tiver medo da escuridão da noite, entre na escuridão da noite – porque este é o único jeito de superar isso. Esse é o único jeito de transcender o medo. Entre na noite; não há nada mais importante do que isso. Espere, sente-se lá sozinho e deixe a noite agir.
          Se você tiver medo, trema. Deixe que o tremor aconteça, mas diga para a noite: ‘Faça o que você quiser. Eu estou aqui.’ Após alguns minutos você verá que tudo se acalmou. A escuridão não será mais escura. Ela chegará a ser luminosa. Você a apreciará. Poderá tocá-la – o silêncio aveludado, a imensidão...a música. Você será capaz de gozá-la e dirá: ‘Que bobo que eu fui por ter medo de uma experiência tão linda!’.
          Sempre que houver medo, nunca fuja dele. Do contrário, isto se transformará num bloqueio e seu ser nunca será capaz de crescer nessa dimensão. Na verdade, aprenda com o medo. Essas são as direções nas quais você precisa caminhar. O medo é simplesmente um desafio. Ele o chama – ‘Venha!’.
          Nestes três meses haverá muitas situações de medo.
          Aceite o desafio e entre nelas. Nunca fuja e nunca seja um covarde. Então, um dia, escondido atrás de cada medo, você encontrará um tesouro. É assim que um homem se torna multidimensional.
          E tudo o que for vivo sempre lhe dará medo. Coisas mortas não lhe dão medo, porque não há nenhum desafio nelas. Portanto, tudo isso tem sido bom. E agora eu estarei trabalhando.”

OSHO.O Cipreste no Jardim. Traduzido por Ma Prem Arsha, 4ª ed.São Paulo: Cultrix, 2009.

          

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